quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Devir.

"Devir é o desejo de tornar-se. Traduz-se de forma mais literal a eterna mudança do ontem ser diferente do hoje,nas palavras de Heráclito:"O mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo do hoje". O devir é a lei do mundo."
Conforme o tempo vai passando, vamos amadurecendo, e passamos a notar mudanças na nossa personalidade, que nunca esperávamos ver.
O que tinha tanto valor, e acreditávamos que iria ser indispensável pra sempre, de repente não tem sentido algum, e é descartado.
Aquilo que não tinha importancia, nem conheciamos a existência , passa a ser essencial, nosso delírio, nosso vício.
Quem te fazia morrer de amores não te afeta mais. Aqueles joguinhos de conquista, a vergonha de se expressar , o orgulho, não têm mais tanta intensidade.
Tudo parece ficar mais comum e aceitável, quando antes era um absurdo, era polêmico.
Passamos a ficar mais seletivos também. Não é qualquer muleque que agrada, não é qualquer festa que diverte, não é qualquer companhia que queremos ao nosso lado.
Passamos a selecionar os diamantes, a escolher pessoas de bem, pessoas que têm gostos e sonhos em comum.
Vamos trocando nossos olhos de acordo com o tempo, as coisas não são vistas como eram à alguns anos.
Mudar, mudanças são nossa sina. Elas acontecem, planejadas ou não, desejadas ou não e voluntárias ou não.
Ao mudar devemos saber escolher o que levar e o que descartar. È preciso saber manter os bons valores, a ética, e deixar a brecha para o que é novo e proveitoso.
Chega um dia em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É a lei, o amadurecimento, e, se não ousarmos fazê-lo teremos ficado para sempre, antiquados e mal vividos.
Mudar as vezes nos acovarda. Temos medo dos desafios que podemos encontrar pela frente, e para evitar, preferimos não arriscar e continuar com o mesmo pensamento e as mesmas atitudes, caminhando sem progredir.
Mudança alguma acontece sem um incoveniente. Toda perda dói, toda despedida rende lágrimas saudosas, mas sem mudança não há como existir progresso.
As coisas mudam, querendo ou não. Só temos que escolher entre nos adaptarmos às mudanças ou sofrer com elas.

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